Chegada em Puerto Natales:
No Dia 0, você chega a Puerto Natales para o encontro de boas-vindas e briefing com a equipe que irá acompanhar a sua expedição. O horário e o local do encontro serão confirmados previamente pela equipe de operações.
Durante esse momento inicial, você terá a oportunidade de conhecer seus guias e os demais viajantes do grupo, esclarecer dúvidas e revisar o roteiro completo da experiência. Também serão abordados pontos importantes como condições climáticas esperadas, equipamentos necessários, recomendações práticas e orientações de segurança para os dias de trekking dentro do Parque Nacional Torres del Paine.
Esse encontro marca o início oficial da experiência, servindo para alinhar expectativas, fazer os últimos ajustes e entrar no clima da aventura. É quando a jornada começa a ganhar forma e a expectativa cresce para o que vem a seguir em um dos parques nacionais mais impressionantes do mundo.
Dia 1 – Vale Francês
O dia começa cedo, por volta das 6h da manhã, em Puerto Natales, com o encontro com o guia e o traslado em transporte privativo até o Parque Nacional Torres del Paine.
Durante o trajeto, seguimos por estradas de terra que atravessam lagoas, campos abertos e a típica paisagem da pampa patagônica. Ao longo do caminho, é comum avistar animais que habitam a região, como guanacos, raposas-cinzentas, flamingos-chilenos e cisnes-de-pescoço-preto.
Ao entrar no parque, cruzamos o Lago Pehoé em catamarã, chegando ao ponto de início da caminhada do dia. A trilha segue em formato de ida e volta até o Vale Francês, um dos cenários mais impressionantes de Torres del Paine. Logo na chegada ao vale, somos recebidos por uma enorme morena glacial, com trechos de caminhada sobre rochas e a primeira vista do glaciar suspenso no alto do vale.
A partir desse ponto, iniciamos uma subida gradual de aproximadamente uma hora, atravessando uma paisagem que lembra um jardim japonês, até alcançar o mirante conhecido como Le Plateau, no coração do Vale Francês.
De um lado, surgem o Glaciar Francés e o Paine Grande (3.050 m); do outro, as agulhas de La Espada, La Hoja, La Máscara e os chifres principal e norte de Los Cuernos se destacam no horizonte. Ao fundo, Cerro Catedral e Cerro Fortaleza completam o cenário, impondo-se como verdadeiras torres de pedra sobre o vale.
Nesse ponto, fazemos uma pausa para o almoço, aproveitando o tempo para contemplar a paisagem e o silêncio da montanha. Após o descanso, retornamos pelo mesmo caminho até a acomodação, onde um jantar de boas-vindas nos espera para encerrar o primeiro dia de trilha.
Dia 2 – Glaciar Grey e Mirante do Condor
Após o café da manhã, seguimos em transporte privativo até a região do Grey, onde iniciamos uma caminhada leve por um bosque de faias, habitat natural de pica-paus e outras aves da Patagônia. A trilha nos leva até as margens do Lago Grey, com suas águas frias e tons intensos.
Depois de cerca de 30 minutos de caminhada, embarcamos para uma navegação de aproximadamente 3 horas, cruzando o lago entre icebergs de tons azulados em direção à imponente parede do Glaciar Grey. Durante a aproximação, fazemos uma parada para observar com calma as formas, texturas e cores do gelo, em um dos momentos mais marcantes do dia.
No trajeto de volta, é possível avistar os curiosos “cogumelos de gelo”, formações esculpidas pelo vento no topo das montanhas do Paine Grande, um espetáculo natural que muda constantemente com o clima.
De volta ao continente, aproveitamos um almoço em estilo piquenique e seguimos em um curto deslocamento até o início da trilha para o Mirante do Condor.
A subida é íngreme e leva cerca de 1 hora, mas o esforço é amplamente recompensado. Conforme ganhamos altitude, a paisagem se abre e revela uma vista panorâmica do Lago Pehoé e do Maciço Paine em toda a sua grandiosidade. Do alto, temos uma das vistas mais impressionantes de Torres del Paine: águas azul-turquesa, montanhas escarpadas e um horizonte que parece não ter fim.
Este mirante também é um dos melhores pontos do parque para observar o condor-andino em seu habitat natural, frequentemente planando nas correntes de ar que sobem pelas encostas da montanha. Uma experiência única que combina desafio físico, natureza selvagem e uma paisagem verdadeiramente inesquecível.
Dia 3 – Base das Torres
Este é o dia mais exigente da expedição, exigindo preparo físico, resistência e determinação. Em contrapartida, cada passo é recompensado com algumas das vistas mais marcantes de todo o Parque Nacional Torres del Paine.
A caminhada começa com a entrada no Vale Ascencio, onde seguimos em subida gradual até alcançar o Paso del Viento. Esse trecho é tão belo quanto exposto, frequentemente marcado por rajadas de vento intenso. Por isso, é fundamental seguir atentamente as orientações dos guias para atravessar a área com segurança.
Poucos metros adiante, chegamos ao Refúgio Chileno, último ponto do percurso que conta com banheiros, venda de alimentos e acesso à internet. Caso queira adquirir algo, é recomendável levar dinheiro em espécie.
A partir dali, avançamos por um bosque de lengas, cruzando pequenos riachos até alcançar um mirante panorâmico que antecipa o trecho mais desafiador do dia. Em seguida, a trilha sobe de forma íngreme por uma grande morena terminal, exigindo atenção e ritmo constante.
No topo, somos recompensados com a vista das icônicas Torres de granito (Las Torres), que se erguem imponentes sobre a lagoa aos seus pés — um dos cenários mais emblemáticos e fotografados da Patagônia.
Após aproveitar o tempo no mirante, iniciamos a descida pelo mesmo caminho. O retorno requer concentração, especialmente nos trechos de morena e rochas soltas. Já de volta ao bosque, o terreno se torna mais suave, oferecendo sombra e um ritmo mais confortável até o fundo do vale.
Por fim, cruzamos novamente o Paso del Viento e seguimos até o ponto de encontro com o transporte, que nos leva de volta à cidade. Um encerramento à altura de uma jornada intensa, com a satisfação de ter completado um dos trekkings mais icônicos da Patagônia.